05/12/2009

Lançamento do Negrafias 02, em São Paulo

(Texto de divulgação). "Neste mês de dezembro, o projeto editorial CicloContínuo promove o lançamento da Antologia Negrafias 02 - Literatura e Identidade (org. Marciano Ventura). O primeiro volume de Negrafias foi editado em novembro de 2008, a partir da finalização da série de atividades denominadas “Os Novos Griots”, realizadas no bairro Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. Tais atividades tinham como objetivo reunir curiosos de vários gêneros artísticos em torno das produções culturais negras, dentre elas as literaturas negras e afro-brasileiras. A obra reuniu 14 autores e autoras com textos literários diversos, dedicados ao centenário do nascimento de Solano Trindade (1908 – 1974). O segundo volume da série é composto por 17 autores e autoras, evidenciando a riqueza e complexidade do mundo negro, trazendo textos em diferentes gêneros, tais como: conto, poesia, teatro e ilustrações. Negrafias 02 é carinhosamente dedicado a duas importantes lideranças comunitárias e religiosas do bairro Cidade Tiradentes: Yá Silvia de Oyá e Edu Oju Obá. Os autores e auttoras integrantes da Antologia são: Akins Kintê, André L. Patrício, Elizandra de Souza, Felipe Augusto, Gildean Silva Panikinho, Giovanni di Ganzá, Lourenço Cardoso, Marcelo Mafra, Marciano Ventura, Marcio Folha, Michel Yakini, Miguel, Oubi Inaê Kibuko, Pilar Ferreira, Raquel Almeida, Rinaldo Teixeira, Samantha Pilar. Serão realizados quatro lançamentos durante o mês de dezembro, nos quais haverá festas, sorteios de livro e literaturas mil. Agende-se e venha compartilhar conosco mais esse rebento"! Dia 10/12 (quinta – feira) – 19:30 horas, Sarau Elo da Corrente. Bar do Santista - R. Jurubin, 788-A. Pirituba. Entrada Franca. (11) 3906-6081 elodacorrente@hotmail.com Dia 12/12 (sábado) – 14:00 horas CrespoSim. Galeria Presidente – R. 24 de Maio, 116. Loja 13 térreo. Apresentação musical de Giovanni di Ganzá e discotecagem com DJ Guinho e convidados. Entrada Franca. (11)3221-9796 cresposim@yahoo.com.br Dia 18/12 (sexta-feira) – 21:00 horas USP - CRUSP (Conj. Residencial USP) R. Prof. Melo Moraes, trav. 08 – Cid. Universitária/Butantã. Festa com bandas de rap e samba. Entrada Franca. (11) 3091- 3255 amorcrusp.aroeira@gmail.com Dia 19/12 (sábado) – 19:30 horas Sarau Poesia na Brasa. Bar do Carlita - R. Prof. Viveiros Raposo, 234. Brasilândia. Samba com Kolombolo Diá Piratininga e representantes da Velha Guarda da Rosas de Ouro. Entrada Franca. (11) 3922-8593 brasasarau@yahoo.com.br

Jorge dos Anjos em Ouro Preto

Recicle-se: Artes plásticas, música, poesia, teatro, moda, fotografia, vídeo, instalações...

(Texto de divulgação): "Em sua 11ª edição, a Coletiva de Todas as Artes reúne – em um único dia e espaço – as mais variadas formas de expressões artísticas. O evento congrega mais de 50 artistas de todas as áreas e terá renda revertida para a OAF - Organização de Auxílio Fraterno - instituição que, através de oficinas de Arte, ensina moradores de rua e de classes menos favorecidas a transformar materiais recicláveis em peças artísticas e decorativas, transformando também a si próprios, em um trabalho de resgate da dignidade e auto-estima.- www.oaf.org.br DATA: 5 DE DEZEMBRO DE 2009 - sábado. LOCAL: GALPÃO DA OAF - RUA GALENO DE ALMEIDA, 575 - Pinheiros (embaixo do viaduto da Sumaré cruzando com a João Moura). HORÁRIO: A PARTIR DAS 16:00 hs. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: R$ 10,00. IMPORTANTE: TODA A RENDA OBTIDA COM OS INGRESSOS SERÁ REVERTIDA PARA A OAF.

04/12/2009

Religiosidade, memória e ancestralidade estudados em obra de Cidinha da Silva

Hoje, caso a burocracia tenha se comportado bem, os estudantes Diego e Cristiane Carvalho defendem monografia sobre o Tridente, em curso de especialização sobre literatura brasileira na UFJF, sob orientação do Prof. Edimilson de Almeida Pereira. A dupla elegeu três temas para análise em meu primeiro livro: religiosidade, memória e ancestralidade. Confesso que a escolha da memória me pegou na curva. Talvez porque eu não me reconheça como uma pessoa de memória pródiga, mas sim, como uma observadora atenta ao meu tempo. De todo modo, é uma boa surpresa saber que uma leitura crítica do meu trabalho reconhece este elemento como algo significativo. Sinal de que estou além do que percebo de mim mesma. É uma alegria ter minha obra contemplada em monografias e, em breve, dissertações, uma reafirmação do meu caminho. Agradeço aos dois estudantes pela delicadeza da escolha. Abaixo, uma rápida entrevista que concedi aos dois com vistas a complementar dados biográficos. 1- Sua criação literária recebeu influência direta de algum escritor em especial? Para mim é muito difícil falar sobre influências literárias diretas. Sei falar sobre o que li, ouvi e vi e que me marcou de maneira definitiva. Por exemplo, desde que lembro de mim como leitora, são os quadrinhos minha primeira lembrança. Depois, na adolescência, o encontro com Machado de Assis e Lima Barreto foi revelador. Ver Reinaldo, centro-avante do Clube Atlético Mineiro jogar, era assistir o espetáculo da poesia feita com os pés. Descobri o Drummond cronista, antes de conhecê-lo poeta. Depois vieram outros cronistas: Paulo Mendes Campos, o predileto, Fernando Sabino e Rubem Braga, este, embora fosse capixaba, era mineiro em espírito. No início da juventude descobri Adélia Prado e sua poesia e o primeiro escritor negro que conheci, em carne e verso, uns dois anos mais tarde, foi Edimilson de Almeida Pereira. A vida inteira ouvi muita música brasileira, samba de um modo geral, Milton Nascimento e Gilberto Gil, em especial, e muita música instrumental de diversas origens, notadamente a brasileira. Estas são referências importantes que, provavelmente me influenciaram e influenciam, mas, repito, é difícil (para mim) detectar influências literárias diretas na minha escrita criativa. 2- O que despertou seu interesse para escrita da literatura? A leitura dos cronistas mineiros mencionados acima. Eu gostava (gosto) muito daquele jeito de escrever e sempre tive vontade de escrever textos com aquela leveza. 3- Sua decisão de se mudar para são Paulo foi devido a atividade mais intensa do movimento negro naquela região? Não. Eu me mudei para São Paulo porque queria sair de Belo Horizonte para um lugar maior e quando conheci a cidade, em 1988, fiquei encantada. Gosto muito das metrópoles. A vida cultural negra da cidade, a diversidade de espaços culturais, o acesso mais democrático a eles, a vida anônima dos grandes centros e a forma como existe lugar para tudo e para todos em São Paulo, isso me seduziu. Mas não acho que a cidade seja acolhedora (Belo Horizonte o é - com as pessoas de fora), não se trata disso. Lá é uma cidade onde todo mundo que tem força para se estabelecer, cabe, só isso. 4- O que te motivou em participar do movimento negro? Eu sempre me reconheci negra, desde muito pequena, não passei por essa história de me descobrir negra num dado momento da vida, como ocorre com muitos afro-brasileiros. Portanto, minha consciência racial, despertada na primeira infância, foi se fortalecendo e ampliando ao longo da vida. Trabalhar numa organização do Movimento Negro foi uma contingência, uma resposta a um convite. Eu queria me mudar para São Paulo e pedi ajuda à Sueli Carneiro para arrumar trabalho por lá. Um dia ela me telefonou e me convidou para trabalhar em Geledés. Eu aceitei, me mudei para lá e assim tudo começou. 5- De que forma a literatura esteve presente em sua infância? Como disse, por meio dos quadrinhos, lidos em casa. Na escola lia livros da biblioteca e pela TV, já que nunca fui de freqüentar estádios, via a poesia de Reinaldo. Ouvia muita poesia nas músicas do rádio, LPs e fitas k-7.

Jussara Santos lança primeiro infanto-juvenil

03/12/2009

Cine no Kanzu, em São Paulo

Exposição sobre o editor Paula Brito, no Museu Afro-Brasil

02/12/2009

O malungo Tizumba, em CD e DVD

Irene Santos apresenta novo sítio de fotografias

Viva o Centro de Mídia Independente!

(Texto de divulgação). "O CMI Brasil - Centro de Mídia Independente é uma rede de produtores e produtoras independentes de mídia que busca oferecer ao público informação alternativa e crítica de qualidade que contribua para a construção de uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente. O CMI Brasil quer dar voz à quem não têm voz constituindo uma alternativa consistente à mídia empresarial que frequentemente distorce fatos e apresenta interpretações de acordo com os interesses das elites econômicas, sociais e culturais. A ênfase da cobertura é sobre os movimentos sociais, particularmente, sobre os movimentos de ação direta (os "novos movimentos") e sobre as políticas às quais se opõem. A estrutura do site na internet permite que qualquer pessoa disponibilize textos, vídeos, sons e imagens tornando-se um meio democrático e descentralizado de difusão de informações".

01/12/2009

Cidinha da Silva no Portal Literal

Na semana passada fui surpreendida por um pedido de republicação de texto meu no Portal Literal, um dos melhores portais de literatura do país. A surpresa deveu-se à despretensão do texto, uma resenha sobre o "Vozes Marginais na Literatura", livro de Érica Peçanha do Nascimento. Está lá! Quem quiser discuti-lo tem pano pra manga, é só clicar no link acima. Quero agradecer à Érica por esta possibilidade, pois foi a leitura do Vozes que me levou até o Literal. Para os que não sabem, Érica Peçanha é uma autora negra e jovem, cheia de talentos e talentos burilados que já se transformaram em competências. Neste final de semana fiquei muito orgulhosa em ver o Vozes na vitrine da Aeroplano na Primavera dos Livros, primeira fila, primeiro time, o lugar merecido desta autora que leva a todas nós, autoras negras, junto com ela.

30/11/2009

Bicentenário do editor Paula Brito

(Do Jornal do Brasil, por Rodrigo Ferrari). "Dezembro marca o bicentenário de uma figura esquecida na história de nossa cidade, personagem marcante na cena carioca de meados do século 19. Poeta, tipógrafo, livreiro, editor, jornalista e dono de jornal, comerciante, impressor, tradutor, compositor, dramaturgo, Paula Brito marcou seu tempo não só por tudo isso, mas principalmente por criar em seu estabelecimento um espaço de sociabilidade que o transformou num dos mais importantes agentes de mediação cultural da sociedade de então. Nascido no dia 2, em 1809, na então Rua do Piolho (atual Carioca), Francisco de Paula Brito passou a infância no interior da província na cidade de Suruí, região de Magé. Apesar do golpe, adquiriu de um primo uma pequena loja de miudezas conhecida como “loja de chá do melhor que há” e, nos fundos dela, instalou sua tipografia, onde iria botar em prática os ensinamentos adquiridos em seu primeiro emprego como aprendiz na Tipografia Nacional. Surgia ali a famosa Loja do Canto, como era conhecida sua livraria no Largo do Rossio, atual Praça Tiradentes".

27/11/2009

Aconteceu em São Paulo!

Cheguei à cidade que escolhi para viver, deixei a mochila no maleiro do aeroporto e fui do Sul (Guarulhos) ao Norte (Pirituba) para o sarau do Coletivo Elo da Corrente. Êta lugar benfazejo! Aqueles tambores, aquelas folhas e pétalas de rosa no chão, Clara Nunes no toca-cds, aquilo tudo me transporta para a minha adolescência, para os templos de umbanda, susto e fascínio. É o sarau mais negro do mapa literário de São Paulo. Era a festa do poeta Carlos de Assumpção, 82 anos de poesia negra, e lançamento de uma coletânea de poemas, “Tambores da noite”, publicado pelo Coletivo Cultural Poesia na Brasa. O poeta lá, firme. Eu adquiri o livro, pedi autógrafo e logo me chamaram para ler. Fui lá e fiz a primeira leitura pública do Pentes em Sampa. Meu coração bambeou quando vi Carlos de Assumpção atento à leitura. Um pouco depois o Marciano, do Ciclo Contínuo, muito emocionado, nos convidou à leitura conjunta do Poema "Protesto". Longo poema. Fui bem até a metade e aí o velho coração desbordou, eu balbuciava, mas a voz não saía. E não sei bem o que me fez chorar, talvez a alegria do poeta, a emoção do Marciano Ventura, aqueles tambores, que calam tão fundo em mim. Talvez o fato de estar frente a frente com um desbravador e a responsabilidade de carregar a pena que ele nos entrega, a nós, as gerações mais novas. Ainda tive a chance de trocar idéias com os amigos queridos Allan da Rosa, o sorridente Marciano, Akins Kintê e o Michel Yakini. Mais tarde foi a vez de conversar mais detidamente com a Raquel Almeida, nosso primeiro papo de verdade, na casa dela, onde dormi. Foi ótimo. É tão alentador ver uma mulher jovem enfrentando o machismo dos amigos (recalcitrante e venenoso) com a coragem de uma leoa a proteger sua própria dignidade e a de todas as mulheres. Fiquei muito feliz e orgulhosa por conhecer esta Raquel. Na sexta-feira pela manhã fui comprar flores para o lançamento do Pentes e à noite, assisti o "Ensaio sobre Carolina", espetáculo dos Crespos. Gostei muitíssimo da performance dos atores Sidney Santiago e Lucélia Sérgio, gostei também do cenário. O texto de Carolina (Maria de Jesus) sempre me nocauteia, é visceral demais. Justamente por isto, qualquer acréscimo pode se tornar excessivo e foi esta a minha sensação. Achei inadequada a inclusão de situações contemporâneas de discriminação racial no texto da peça, visando, talvez, uma interação maior com o público. No sábado rolou o lançamento do Pentes na Odun Formação e Produção, uma festa belíssima organizada por Viviane Ferreira e sua equipe. Houve performance de Evani Tavares, Sidney Santiago, Maria Gal e a música maravilhosa do Kadhira Neiva. A apresentação do Pentes, peça fina e preciosa, foi escrita e lida pelo amigo Emerson Inácio, professor de literatura na USP. Em breve vou postá-la aqui. Eu também li uns trechos do livro, acho importante que as pessoas ouçam a dicção da autora. Finda a saga paulistana, preparo-me para a segunda parte da odisséia, Salvador. Aguardem notícias (Na foto Carlos de Assumpção e Marciano Ventura).