07/11/2009

Os 50 anos do Edifício Maletta, em Belo Horizonte

Estarei lá, na festa de aniversário, durante o sarau dos amigos da Coletivoz, às 15:00.

Lançamento do livro “Poemas”, de Oliveira Silveira, dia 20 de novembro, em Porto Alegre

"Palmares é Angola Janga. Nem é só Zumbi ou Ganga Zumba, senhores, Palmares Não é só um, são milhares" (Oliveira Silveira). "Formado em Letras (Português e Francês) pela UFRGS, Oliveira Silveira nasceu em Rosário do Sul, município situado na fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, em 1941, tendo sido criado na zona rural, na Serra do Caverá. Foi poeta, ensaísta, músico e ativista do Movimento Negro, além de ter o mérito de ter sugerido a evocação do 20 de Novembro lançado e implantado no Brasil pelo Grupo Palmares, a contar de 1971, e que posteriomente, em 1978, o Movimento Negro Unificado identificou como Dia Nacional da Consciência Negra. Entre 2004-2006, foi conselheiro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República". Obras Publicadas Publicou, entre outros, “Germinou”, Porto Alegre, 1968; “Banzo, Saudade Negra”, Porto Alegre, 1970; “Pêlo Escuro”, Porto Alegre, 1977; “Roteiro dos Tantãs”, Porto Alegre, 1981; “Anotações à Margem”, Porto Alegre, 1994. Todos livros de poesia. Seus poemas também foram traduzidos, entre outras línguas: para o inglês e o alemão, e essas traduções apareceram respectivamente na revista Callaloo,The Johns Hopkins University Press, 1995, e na antologia Schwarze Poesie, Edition Diá, 1988. Serviço: Dia 20 de novembro, na Casa de Cultura Mário Quintana, às 19 horas. Rua dos Andradas, 736 Centro - Porto Alegre – RS Tel: 51-3221-7147 Outras informações podem ser obtidas com Naiara Rodrigues Silveira, Secretária Geral da ANdC telefone: (51) 9935-8476 e-mail: naiaraoliveira20@yahoo.com.br

05/11/2009

Lançamentos da Mazza Edições no 6o FAN - Festival de Arte Negra, em Belo Horizonte

04/11/2009

15 mil exemplares em circulação!

Recebo comunicado da editora de que o Tridente (2a edição) terá a primeira reimpressão, adequada às novas regras da língua. Super notícia! Fiz umas contas rápidas e concluí o seguinte: as três edições do Ações, meu primeiro livro (2003), somam 8 mil exemplares em 6 anos. Quanto aos livros de literatura, da primeira edição do Tridente (2006) foram mil exemplares. Da segunda edição (2007), mais mil exemplares, e agora a primeira reimpressão, outros mil. Da primeira edição do Tambor (2008) foram mil exemplares. Da primeira edição do Pentes (2009) SÃO 3 mil exemplares, portanto, 7 mil exemplares em minha carreira literária de 3 anos. Somando tudo, livro de ensaios e 3 livros de literatura, tenho cerca de 15 mil exemplares dos meus 4 livros em circulação. É uma cifra para comemorar e é o que faço agora,ao noticiar o feito aqui no blogue.

03/11/2009

Atualização da agenda do Pentes pelo Brasil

Belo Horizonte: dia 06/11 no FAN - Festival de Arte Negra, espaço Ojá, Lagoa da Pampulha, às 19:00; dia 15/11, às 10:00 na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, 21, Praça da Liberdade, informações Mazza Edições 31 34810591; às 15:00, no aniversário do edifício Maleta, tradicional ponto de encontro da resistência à ditadura militar, informações Coletivoz 31 87055890; às 20:00 na sede da Companhia de Teatro A Farsa, rua Caetés, 616, Centro, informações Espaço Griô 31 87047572. São Paulo:dia 21/11 durante o primeiro aniversário da Odun Formação e Produção, informações pelo fone 11 31057247 ou pelo e-mail aquatuny@odun.com.br; dia 23/11 na Casa das Áfricas, informações fone: 11 38011718. São José dos Pinhais e Fazenda Rio Grande, durante a primeira Feira do Livro da cidade, ambas na região metropolitana de Curitiba, dia 26/11; Pinhais e Curitiba, dia 27/11. Santo Antônio de Jesus, BA, de 08/12, na Faculdade de Educação da UNEB. À medida que as informações forem completadas e os convites específicos produzidos, vou postando por aqui. Mas, por favor, tanto convite é para vocês aparecerem!

01/11/2009

Vozes Marginais na Literatura, primeiro livro de Érica Peçanha

"Vozes marginais na literatura é resultado de uma pesquisa de mestrado em Antropologia Social, desenvolvida entre 2004 e 2006 na Universidade de São Paulo. O livro toma como mote a atribuição do adjetivo marginal, por parte de alguns escritores da periferia, para caracterizar a si ou aos seus produtos literários no limiar do século XXI. Partindo da análise das três edições especiais Caros Amigos/Literatura Marginal e da relevante cena literária que se constituiu nas periferias paulistanas após o lançamento dessas revistas, a obra investe na articulação da produção literária e da atuação político-cultural dos escritores, dando ênfase às carreiras e intervenções de três deles: Ferréz, Sérgio Vaz e Sacolinha (Ademiro Alves)". Lançamentos: 05/11, às 19h30 – Ação Educativa Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque 07/11, às 16h – Loja Suburbano Convicto Rua Nogueira Viotti, 56 – Itaim Paulista 12/11, às 20h – Sarau Elo da Corrente Bar do Cláudio Santista – Rua Jurubim, 788 – Pirituba 14/11, às 20h – Pavio da Cultura Centro de Educação e Cultura Francisco Moriconi Rua Benjamin Constant, 682 – Centro de Suzano 18/11, às 20h – Sarau da CooperifaBar do Zé Batidão – Rua Bartolomeu dos Santos, 797 – Chácara Santana

30/10/2009

O Pentes na real!

Agora é para valer! Chegou nos últimos minutos da prorrogação, mas chegou. Tá, chegou no início do segundo tempo de um 2 a 2 disputadíssimo por dois times à beira do rebaixamento. Falo da chegada do pacote de Pentes em Porto Alegre. Explico: a gráfica atrasou a liberação dos livros. Como mineiros não perdem o trem, ponderei com a Mazza Edições que seria mais prudente que um dos meus anjos-da-guarda, o Wanderley Moreira, fizesse a gentileza de ir até a gráfica em São Paulo (os livros foram impressos por lá - coisa do mercado global) e enviasse para Porto Alegre, por sedex, um pacote de livros. Decisão acertadíssima. Não é que a transportadora não coletou os livros que supostamente deveria coletar na quarta-feira, dia 28/10/09? Teve um imprevisto e não conseguiu chegar. Mas meu anjo-da-guarda já estava a postos, com tudo combinado para enviar os livros para cá, ontem e, como bom anjo-da-guarda, o Wander fez o que precisava ser feito. Muitíssimas gracias. Mas, se não tiver emoção, não tem graça. O lançamento será às 19:00 e o motoqueiro dos correios deixou o pacote de livros aqui, onde o aguardava, sem unhas, às 16:02. Tudo bem que havia todo o segundo tempo para jogar, mas a sensação térmica era a dos últimos minutos da prorrogação. Agora é seguir para a Palavraria, mantendo o ritmo de Twitter do blogue. Em dezembro, quando as águas dos lançamentos serenarem, devo virar twiteira também. Em princípio, aparecerei por aqui no domingo para comentar os eventos penteanos de hoje e sábado. Até lá!

O Pentes na 55a Feira do Livro de Porto Alegre

É necessária uma nova Abolição?

(Por Muniz Sodré). "Há uma questão atravessada na garganta de grupos empenhados na defesa das políticas afirmativas da cidadania negra. Trata-se de saber por que os jornalões (nome talvez mais palatável do que "grande mídia impressa") brasileiros não dão voz alguma a quem se manifesta favorável a medidas como a instituição das cotas ou ao Estatuto da Igualdade Racial. Como bem se sabe, esses jornais vêm dando largo espaço a jornalistas e intelectuais decididos a demonstrar que as ações afirmativas constituem uma nova forma de racismo, já que raça não existe e, ademais, como a população brasileira é predominantemente miscigenada, todos os nossos concidadãos teriam a sua cota de negritude. Logo, não faria qualquer sentido ficar procurando saber quem é negro ou branco para proteger o primeiro. Foi essa a questão debatida nos dias 14 e 15 de outubro, durante o seminário "Comunicação e Ação Afirmativa: o papel da mídia no debate sobre igualdade racial", realizado na Associação Brasileira de Imprensa por entidades como Comdedine, Cojira e Seppir. É bem sabido que há vozes discordantes das opiniões oficiais dos jornalões, por parte de jornalistas de peso, alguns dos quais pertencentes aos quadros desses mesmos jornais. É o caso de Elio Gaspari, Miriam Leitão e Ancelmo Gois. Estes dois últimos, aliás, foram palestrantes no seminário. Uma instituição retrógrada Na mesa sobre "a responsabilidade social da mídia e o debate sobre raça" – que dividi com a jornalista Márcia Neder, da revista Claudia –, comecei afirmando que há certas visibilidades que nos cegam. O sol, por exemplo, se tornado excessivamente visível (olhado de frente), nos impede de enxergar. Mas há também objetos sociais que, se tornados visíveis demais, podem bloquear a visão de quem antes acreditava ver. Parece-me ser este o dilema da cor, do fenótipo escuro, na atualidade brasileira, onde vislumbro um caso de cegueira cognitiva. De fato, a questão vem sendo tratada como ser pró ou contra o racialismo. A maioria dos favoráveis a propostas como o Estatuto da Igualdade Racial, cotas para universitários etc., lastreia os seus argumentos com as razões do anti-racismo; os desfavoráveis, embora reconhecendo a existência episódica e anacrônica de incidentes racistas, tentam fazer crer que vivemos no melhor dos mundos em termos de conciliação das diferenças étnicas e que seria, portanto, um retrocesso civilizatório racializar a população. Curioso é que esses mesmos argumentos desfavoráveis, sem que seus autores se dêem conta, são racialistas em última análise, ao apelarem para as noções de miscigenação biológica. Por outro lado, de modo geral, todos se habituaram a pensar na escravidão ora como uma mácula humanitária, ora como um anacronismo, uma instituição retrógrada na história do progresso. Vale, entretanto, apresentar uma opinião de outro matiz, a de Alberto Torres, autor de O Problema Nacional Brasileiro. Foi um dos grandes explicadores do Brasil entre o final do século 19 e início do 20. A saudade do escravo Conservador em termos sociais (refratário à urbanização e à industrialização), propugnador de uma República autoritária, Torres revela-se, entretanto, interessante em termos metodológicos e teóricos. Diz em seu livro que "a escravidão foi uma das poucas coisas com visos de organização que este país jamais possuiu. (...) Social e economicamente, a escravidão deu-nos, por longos anos, todo o esforço e toda a ordem que então possuíamos e fundou toda a produção material que ainda temos". Torres era, insisto, autoritário e conservador. Gerou epígonos como Oliveira Vianna, esse mesmo que chegou a justificar em sua obra o extermínio do "íncola inútil", isto é, do habitante das regiões empobrecidas do país. Era, entretanto, um conservador diferente: discordava das teses sobre a inferioridade racial do brasileiro, não era racista. Sua frase sobre a escravidão é algo a ser ponderado, principalmente quando cotejada com o dito de Joaquim Nabuco: "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil. (...) Ela envolveu-me como uma carícia muda toda a minha infância" (Minha Formação). É célebre essa passagem sobre a memória afetiva da escravidão – a saudade do escravo. Ela é a superfície psicológica do fato histórico-econômico de que as bases da organização nacional foram dadas pelo escravismo. Por isso, vale perguntar que apreensão os brasileiros fazem desse fato, pouco mais de um século depois da Abolição. Perpétuos cães de guarda Alguns pontos devem ser considerados: 1. A palavra "apreensão" não diz respeito a concepções intelectuais, e sim, à incorporação emocional ou afetiva do fenômeno em questão. No interior de uma forma social determinada, nós apreendemos por consciência e por hábito o seu ethos, isto é, a sua atmosfera sensível que nos diz, desde a nossa mais tenra infância, o que aceitar e o que rejeitar. 2. A reinterpretação afetiva da "saudade do escravo", que envolve (a) as relações com empregadas domésticas e babás (sucedâneas das amas-de-leite); (b) o afrodescendente como objeto de ciência (para sociólogos e antropólogos); (c) imagens pasteurizadas da cidadania negra na mídia. Diferentemente da discriminação do Outro ou do racismo puro e simples, a saudade do escravo é algo que se inscreve na forma social predominante como um padrão subconsciente, sem justificativas racionais ou doutrinárias, mas como o sentimento – decorrente de uma forma social ainda não isenta do escravagismo – de que os lugares do socius já foram ancestralmente distribuídos. Cada macaco em seu galho: eu aqui, o outro ali. A cor clara é, desde o nascimento, uma vantagem patrimonial que não deve ser deslocada. Por que mexer com o que se eterniza como natureza? Nada, portanto, da velha grosseria racista, da velha sentença de "pão, pano e pau" proferida pelo padre Antonil a propósito dos negros. Não há mais lugar histórico para o "pau" desde a Abolição, ou melhor, desde a Lei Caó. O argumento explicitamente racista não leva ninguém a lugar algum no império das tecnologias do self incrementadas pelo mercado e pela mídia. Mas é imperativo para o senso comum da direita social que as posições adrede fixadas não se subvertam. O escravismo é mais uma lógica do lugar do que do sentido. É dele que, de fato, têm saudade os que acham um escândalo racial proteger as vítimas históricas da dominação racial. E os jornalões, intelectuais coletivos das classes dirigentes, não fazem mais do que assim se confirmarem ao lhes darem voz exclusiva em seus editoriais e em suas páginas privilegiadas, ao se perpetuarem como cães de guarda da retaguarda escravista. É oportuno prestar atenção à letra da canção de Cartola ("Autonomia") em que ele afirma a necessidade de 'uma nova Abolição'". Fonte:http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=561CID001

29/10/2009

A orelha do Pentes!

"Cidinha da Silva é uma amiga minha que escreve como quem trança ou destrança cabelos e nos presenteia com pentes presentes cheios de passado que nos ajudam a destrinçar o futuro. Seus pentes são pontes de compreensão entre o que somos nós negros brasileiros agora, nossos avós recentes e os tais ancestrais africanos. E pontes entre nós e nossos filhos e sobrinhos, os que vêm depois de nós. Compreensão aqui que eu digo é aquele entendimento afetuoso, apaixonado até e cheio de compaixão no sentido de gratidão pelo que se é. Pelo que nós somos: família, solidariedade e contradição na difícil tarefa de encontrarmos, cada um, nosso papel de levar adiante a história coletiva e ao mesmo tempo afirmar o traço intransferivelmente pessoal do indivíduo. Estar com a mãe e nascer, ser da famíla e ir embora, constituir a sua própria (que ainda é a mesma). É aí que mora o penteado: saber qual é o pente que te penteia. Para os mais jovens, a quem se destina a princípio este livro, mas também para os nem tão jovens assim são generosas as pistas sopradas ao nosso ouvido por essa contadora de história. Escutadora atenta, agora vem a griot nos atentar doce e profundamente. Vem aqui nos alentar deschavando nós e nos ajudando a achar laços nesse desconchavado mundo. Vem reforçar nossas ligações básicas, comunitárias, domésticas. É tão certeiro e tão bem-vindo esse livro que lê-lo me encheu de orgulho e admiração. Pelo tema e pela forma. Sei que os próximos leitores de "Pentes" sentir-se-ão gratos a Cidinha da Silva, como eu". (Chico César, compositor).